sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Dando murros em ponta de faca.


- estava aqui a pensar...
- partilha...
- quando falámos pela primeira vez, correu da maneira que correu: mal, mal, mal. E agora, estamos com elos coesos e reforçados. Há coisas fantasticas não há?
- chama-lhes medo.
- medo? Porquê?
- há alturas em que tememos tudo, principalmente, pessoas que nos lembram nós mesmos...
- reagiste assim porque te revias em mim?
- sim, acho que acabei por te tentar perfurar com uma qualquer lâmina na ânsia de a sentir também.
- foi mal perfurado...
- eu sei.
- digo que só fez risco, nao furou de todo.
- nunca consegui acabar comigo só ser um monte de riscos.
- acontece.
- somos tão humanóides!

Imprudências.




O sentimento permanece. As saudades moem, remoem, doem.
Mas quando a gente gosta a gente cuida.
Compensações existem e a escala da intensidade é para se usar.
Os momentos desfrutam-se e a memória alimenta-os.
Um dia a distância encurta...

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Sussuros ao luar.


«Sabes-me bem. tens o gosto a açúcar mascavado que rola e rola na boca e manifesta o seu lugar. Emanas a tua grande presença pela tua escrita e tlintam e ecoam em ti sons desviados pelo teu doce orgulho, que como escudo funciona. Escalas e deixas-te cair, mantendo a pose de bailarina graciosa. Voas ficando em terra, nadas pelas árvores e bebes letras e imagens que os olhos te regalam. Completas-me como damas e espadas, completam copas e reis.» Molotofé.

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Pequeno grande equívoco.

Falar de mim ou do Genzo é dificil. Somos eternos contrastes. De dentro para fora e de fora para dentro. Somos um sendo dois. Somos dois sendo um. As falas fundem-se do mesmo modo que os sorrisos se confundem. E é quando a noite vem que as letras raiam e o arco-íris se forma ao derrame de água e sal. Há peças soltas e puzzles sem fim. São salas de quebra-cabeças e limites de estribeira. Há cercaduras que se constroem e respostas que se detêm, de um encaixe ou de dois que tantas vezes sabemos nós unir. Sou eu e é o Genzo. Eternos jogadores de paciências. Desenrolam-se mantas de enigmas pelo chão. Cercaduras mal contadas de mil e um tons. Arvoredo de vãs esperanças e ramificações de nectares dengosos. São troncos que caem de moléstia que alianças trocadas detém. São anéis de mil e umas histórias. Uns teus e outros meus. Somos dois puzzles diferentes incompletos que um dia apresentados foram numa sala de arrumos comum. As cores das peças diferem, as texturas e a robustez mas ambas se consomem em abraços de encaixes perfeitos. Somos arte neo. Uma qualquer miscelândea de emoções, feitios simétricamente desiguais, que formam o puzzle perfeito. Sabe bem, sabe bem..

- O Genzo existe. São conversas sem pés nem cabeça com tronco e membros. São dois corações imponentes à prova de bala. São dois corações que já sabem as manhas um do outro. Que batem numa mesma pulsação e taroteiam a mesma canção de guerra. São duas forças propulsoras de raios teia de aranha. Empurram e seguram. São elos assim como nenhuns que todos julgam só uns...

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Particularmente difícil.

É-me particularmente difícil admiti-lo - a tua existência foi um conceito que esvaziei, simplesmente esvaziei. Um qualquer saco que ainda assim vazio me pesava nas mãos. A corda dos requintados sacos de papelão provocava-me uma vermelhidão nas mãos. Farpelas. Um dia abri as mãos. Caíste, caímos. Desculpa meu amor. Eras um saco vazio com cordas desgastas. Desculpa meu amor, tenho aquele gene do bichinho consumista. Gosto em excesso de sacos coloridos e em demasia do conceito um tanto ou quanto saloio de abarrotar. Abri as mãos. Larguei. A tua cor já era desbotada e vazio estavas. O tempo corrói e as vis acções ajudam. O pecado é a consumição da cor, nunca o ouvi mas sempre o senti ressoar no âmago das grandes almas. Saber que piso a mesma calçada e terra batida que os teus pés é para mim uma falácia. Se a cinzas te reduzi, meu amor, a tua imagem defronte das minhas pupilas não passará de uma assombração. Diz-me tu senão fará sentido pensar assim. Como se aceita a morte de quem não morreu? Largam-se os sacos de alças de corda que vazios pesam mais que os próprios pés. Foste desacreditado pelo tempo, tens o rótulo e o aspecto dos iogurtes. Imaculado pareces e validade tens. Espumas uma substância viscosa que nada mais é que mau carácter em estado liquido. Incumpridor de prazos, fermentas-me aos ouvidos e embacias-me o globo ocular. Não sou imune à dor das grandes perdas e custa demais admiti-lo. Talvez as perdas não fossem grandes e o custo não fosse esse tão elevado que me chegou por correio nessa gigantesca factura. Talvez a divida que não paguei maior seja e isto sempre desconhecerás tu. Não me irrites. Uma coisa sei-a eu bem: sou rapariga de palavra. E quando impus a tua distância ao meu maleável coração não estava a fraquejar. Meu amor, até podes calcar o mesmo pó e vê-lo cobrir em câmara lenta as tuas estimadas sapatilhas como eu sempre faço. Frequentar os mesmos sítios, calcar a mesma calçada com passos teus por cima de meus, formular os mesmos tons nas sempre estimadas canções. Podes até repetir sem exaustão as expressões que sempre hás-de associar como minhas. Não fará diferença. Sei bem que um dia, se já não o foi, beberei de um copo que já beijou os teus lábios e olharei alguém do mesmo lugar de onde miraste também. E quando no meio da batida o meu olho te captar e os nossos corpos parecerem embalar-se num mesmo compasso não serás mais que saco vazio que me magoava nas mãos que abri e deixei cair. Falácia assombrada. Mas quem será? Mas quem será? Desculpa meu amor, também ando no mundo dos iogurtes. Tenho aquela componente Actimel, das defesas activas. Bolhas de sabão ou escudos protectores que importa? Barreiras de fermento. És vilão desta história e eu heroína de outra. São tiras desordenadas. Anacrónicas numa história e noutra. Não fiques perto estando perto. Faz-me um favor e fica longe mesmo por perto. E quando olhares a lua, não penses em mim. A minha lua é aos oitavos e a tua aos quartos. Pormenores!

- pê, olha a lua...

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Torrão-de-açúcar.


Sou arco-íris sendo monocromática..
Sou sinfonias em tom de rock..
Sou açúcar sendo limão..
Sou mulher sendo menina..
Sou voz com dedos..
Sou sorriso de olhos..
[Sou paleta de mim..]

« és uma mistura, jeito louco e ar de menina.
Um anjo, o anjo de alguém ou de muitos alguéns.
Não mostras as asas fortes e poderosas,
nem apareces com preces mas curas com alegria.
Perante a tua protecção ninguém teme nenhum tipo de escuridão.
És uma paleta de cores que não segue qualquer ordem lógica. » Genzo

Presta atenção:


O que temos de melhor não foi desejado.

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Calmarias em revoltas mudas.


Às vezes suplicas a meio da peça que te mudem a personagem. Essa outra, que nunca paraste de interpretar. Estás cansado. A peça perdeu o desafio dos bons trabalhos, tornou-se rotina. Hábito ou conformismo. Vestes tão bem o teu papel e já à tanto tempo que não alcanças protagonismo algum. Farto estás. Eram só umas férias. Umas curtas férias de ti, mas com o sabor adocicado de férias. Um interregno à altura de um notório actor social. Gostavas de saber ignorar mas é-te tudo indiferente. E a indiferença é de qualidade inferior, sabe-lo bem. Esta noite és pequeno. Ficas no teu canto sossegado até que atingires o controlo da tua pesada respiração, até não mais soluçares ao ritmo da dor. Esta noite és pequeno. Cobres-te com os velhos cobertores como se tapado ficasses imune a mais ferimentos. Escondido do mundo, escondido de ti. Esta noite és pequeno. Recuas no tempo para te perderes por lá, não queres por nada ver-te assim. Esta noite és pequeno. Até as forças e o sufoco não terem mais ar para consumir, até o cansaço vencer a dor. Esta noite és pequeno. És como uma briga de caranguejo, quando um ataca, o outro recua, e quando um recua, o outro ataca. Como se ultrapassassem os limites que tu mesmo definiste e rumo se desvanecesse. A acção ficasse suspensa. E a razão relegada para segundo plano. Esta noite és pequeno. E na inocência da idade ignoras que ainda há tanto mal que te perturba. Esta noite és pequeno e desconheces o quão necessitas de controlar os sentimentos. Esta noite és pequeno e amas com medo e por uma vez sem revolta junto. Levanto-me e bato palmas: esta noite és pequeno. Tributo.

D'arrepiar.



Coimbra, tem mais encanto na hora da despedida. Boa fotógrafa. Ironia. Madrinha. Rita Marques. Latada. Cortejo. Desfile. Garra. Universidade. Miguel Torga. Outubro. [Dois de Copas] Voz. Espirito. Baptismo. Penico. Rio Mondego. Praxes. Chupeta. Apito. Verde escuro. Cor-de-laranja. Branco. Psicologia. Luvas. Sonho. Sapatos. Sol. Tecido Polar. Calor. [Afilhada] Caloira e doutora. Coração centrado, coração alinha(va)do à direita. Cozido tudo à máquina com muito amor.(a) Associação de estudantes Miguel Torga. Ensaio. Doutora Bárbara. Coreografia. Cantorias. Plingrafias. Nabos. Rebuçados. Estandarte. Coração. Traje. Sucesso. Emoção. Ridiculos deliciosos. Sentimento.

I'm yours.





- tudo passa menos o encanto dos abraços sinceros.
- em ti tudo é sincero.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Toque-de-ira.


- desenvolvi uma teoria que consiste em que as pessoas grandes deveriam sentir menos porque os sentimentos têm de se espalhar por uma superficie maior. Mais centimetros, maior dispersão.
- que giro, isso vem de encontro à minha teoria de que sinto muito e em excesso porque sou pequena e tudo se concentra.
- então e porque não estou eu isento de sentir pê? Sou tão grande em tamanho.
- mas o teu coração grande de inicio é agora pequenino. São apertos seguidos de uns e outros. Os corações vão mirrando.
- pode ser que um dia encolha todo e não caiba lá mais nada.

Rascunhos emocionais.

Há lá cartas com ramificações tamanhas. São notas aqui e ali que espalhámos como migalhas que saberiamos de antemão que um dia nos iriam orientar caminho. São grãos de açúcar que consumimos em excesso, como se tivessemos bossas para os armazenar. São bilhetes pequenos em papel mal cortado, avisos em tom de sussurro que escrevia a mim própria. Um dia, sei que não acharei mais nenhum e nesse momento terei açúcar para encher um frasco bem grande - adocicado amor-próprio tenho - confeccionarei um qualquer doce ou talvez me embeveça a mirá-lo - bem dito orgulho - sei-o lá eu. É uma caligrafia irregular, por vezes afiada, capitais destacadas e traço duplo, reconheço bem a raiva descoordenada, essa mesmo que contrasta com a desilusão preocupada de caracteres redondos e bem delineados. Eram os mesmos passos que efectuava, esses que jurei não mais avançar. E desafiando-me ia com com cautela e com a carregada certeza dos futuros erros. Traiçoeira me sentia como uma qualquer boneca articulada ao sabor do vento: ora avançava, ora recuava. Ora me sentia próxima, ora distante. Ora semeava sentimentos ora os arrancava pela raiz. São histórias doces com tragos de amargo. Sabe como são? São trilhos desgastos para solas que já não existem. Há socos que são reconhecíveis, têm aquela dureza que vibra no coração e não na barriga e são esses que me mudam. Não me importo de ser primeira vitima, sei bem demais que a segunda é-o nas mãos da vida. O agressor vira presa e o castigo é tão maior. A vida cobra sempre juros e o soco dói tão mais. Diz-se justiça. Se tenho medo? Tanto. Às vezes não sabes o que temer ou o que estás a temer. Mas sentes o pânico a irrigar-te as pernas e o estômago a ficar vazio. Medo? De tudo ultimamente. Tens medo das dosagens excessivas em que sempre foste viciada e das mais fracas que sempre te desinteressaram. O medo dilata-te as pupilas e brinca contigo. Tens medo de tudo porque tudo te pode magoar. Os abraços alteram de intensidade e transformam-se em empurrões. Os sorrisos, antes pontadas de aconchego são agora facadas de compaixão. Sangra coração. E é no morre não morre, pulsa não pulsa que as mãos imundas o agarram - essas que as batas brancas sempre prometem disfaçar. Foi o maior dos golpes. Nódoas rosadas, hematomas liláses. Discursos desordenados a tocar o desnexo. São imans que se atraem e repelem mas que sempre se movem em função um do outro. Pé ante pé, o caminho se percorre. As convicções vão todas, as bases caem por terra. Desiste-se de tanta coisa, fraqueja-se em tantas mais. O sono seduz. Os refúgios procuram-se. O tempo voa e cobiçamos-lhe as asas. Só não queremos repetir os mesmos erros. Olhamos os bilhetes e pensamos tantas vezes que é preciso voltar a ouvir para ver se remexe ainda. Baixam-se por momentos as armas e olha-se para trás. Não ousaremos nunca descer do pedestal. Ouve-se de novo e a tenacidade é exigida. Arranjam-se escudos quando a pele já caiu. Olhou-se para o passado e viu-se não sei o quê. Chama-lhe interpretação, passado, presente ou projecção de futuro. Quem o saberá? Sei eu que o tempo sempre vem. A pele nasce de novo e as marcas personalizam-nos. O coração cravado bem fundo um dia toca nas nuvens, um enlace de lealdade impede uma traição. Tenho medo, tenho tanto medo, tenho todo o medo. São histórias lindas e feias numa proeza de linha. Tenho fé em mudanças e semi-certezas em vicios entranhados. São gostos seguidos de muitos e muitos que hão-de ser sempre em demasia. São recortes que encontro nos sitios mais improváveis e que antes da tua presença me lembram a minha. Assisto tendo medo e a pseudo-certeza que o feitiço cansou. A certeza absoluta, essa sim retira-nos a inteligência. Movimentos alerta. Recolha de memorandos activa. Grainhas de açúcar miraculosamente empilhadas. Meu querido ente mim que seria de mim sem...

- (a ultima palavra é para aprender a deixar suspensa já mo havias dito, bem mo recordo)

Síntese.


- sabes, o problema se calhar não existia se eu não fosse tão picuinhas. Se eu não fosse tão obstinadamente correcta tudo me bastava. Por vezes, tomo consciência que exijo demasiado de mim em benece dos outros e depois quando a reciprocidade deveria actuar não considero que ninguém esteja à altura.
- hoje estás descrente.
- sim, às vezes, acordo de um sono que não durmo e tudo vira pesadelo. É complicado perceber não é? O sono acaba e eu continuo a sonhar. Estou mais acordada enquanto durmo e é acordada que sonho mais. Descrente não saberei se é o termo certo ou não. Tem dias que desejava só ser heroína ou vilã para resgatar o que restou de mim na linha do tempo.
- o engraçado é que tu não deixaste de ser quem eras, sabes bem que te podes reaver a qualquer instante.
- a visão de fora dizem sempre que é a mais sensata. Mas sabes bem que eu gosto da primeira pessoa, gosto de escalas deturpadas e de intensidades egoístas. Deixei, sabes bem que deixei. Mudei tanto quanto me era possível. É o mesmo corpo com outra cabeça que se articula do mesmo modo e usa as mesmas palavras mas que sente de modo distinto. É um corpo familiar e uma alma estranha que não sabe os passos que há-de dar para me (re)encontrar.
- não tentes os caminhos fáceis.
- só temo o reencontro das duas do mesmo modo que o anseio.
- eu já não temo nada, já fiz tudo o que há de errado para se fazer. Já não sobra nada para temer.