- não adoras sonhar?
- adoro. todos os meus sonhos. os definitivamente não-lúcidos. os objectivos. os intuitivos. os despertos. até os pesadelos.
- já não tenho um pesadelo há muito tempo.
- a sério? eu tenho tenho o mesmo tipo de pesadelos desde sempre. acho que se os deixasse de ter até sentia saudades.
- adoro. todos os meus sonhos. os definitivamente não-lúcidos. os objectivos. os intuitivos. os despertos. até os pesadelos.
- já não tenho um pesadelo há muito tempo.
- a sério? eu tenho tenho o mesmo tipo de pesadelos desde sempre. acho que se os deixasse de ter até sentia saudades.
- como são?
- alguém a perseguir-me. estou sempre em algum lugar e o telefone não pára de tocar, as mensagens chegam em número avultado. sei onde vais, sei onde estás. estou a ser observada. está sempre lá fora à espera que eu decida sair. quero um café. gostas sem açúcar. esse lenço é novo, fica-te bem. sabe tudo de mim. preciso de fugir. anda ter comigo, não fujas. não vou desistir de ti. preciso de planejar a minha fuga. estou sempre contigo. vou atrás de ti. não posso respirar senão vai ouvir-me. preciso de fingir que morri. quando posso respirar? estou a observar-te. está a controlar-me. nunca te vou deixar. tenho medo. gosto muito de ti, nunca te vou perder de vista. tenho tanto medo. não posso pensar ele ouve-me. conheço-te melhor que ninguém. estou aterrada de medo. não respires. não respires. resiste.
- os meus envolvem sempre isolamento. começavam sempre com uma historieta e um cenário maravilhosos que lentamente definhava para algo agonizante e o pior era mesmo a recordação do quão maravilhoso era antes e nunca mais voltará a ser, entendes?
- que triste. é um sonho muito triste. nos meus o medo está instalado desde o inicio vai evoluindo ao longo do sonho para o pânico. é uma obsessão que vai crescendo.
- típico, tens medo a pessoas. é natural que os teus pesadelos sejam sobre obsessão. tirar-te algo que não podes dar. eu como tenho medo de perder o que gosto os meus pesadelos são sempre sempre sobre perda. o teu cérebro certamente sabe acertar onde te dói mais.
- então a tua ideia é que o meu cérebro manda pessoas perseguir-me porque passo a vida a distanciar-me? e faz isto desde que me lembro? já podia ter inovado. podia ter evitado uma infância bizarra. é que eu quando era pequena assim que chegava a um sitio elaborava um plano de fuga. e ainda hoje dou por mim a fazê-lo quando estou distraída.
- eu tive medo de perder pessoas e coisas durante muito tempo. já não tenho mais. acho que é dos medos com mais sentido. quando ele me abandonou, perguntei-me quem era.
- e não deixa de ser estranho porque quem olha para ti acha que tu podes ter todos os medos menos esse, o da perda.
- já te expliquei, porque me apaixono e não me consigo desligar.

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É na troca de letras que me conquistam. Passo os dias a apaixonar-me pelas palavras dos outros e a despojar aquelas que circulam em mim. Completo-me assim. Gosto de emoção e tudo ambiciono sentir. Não tenho medo da dor, nem da felicidade. Gosto dos extremos. E se vais dedicar-me o teu tempo brinda-me, acima de tudo, com sentimento. (Obrigada)