Tu precisas mesmo de dias assim: de frio, de mimos e esplanadas. De palavras a monte e silêncios bem colocados. Precisas de tempos assim: de abraços de reencontro, de achar que tens todo o tempo do mundo quando o dia raia e nenhum quando a noite cai. Tu precisas de tudo isso, porque tu és tudo isso. És os tons de voz, os gestos e os cheiros de cada um, anotados na cabeça, reconhecidos em qualquer lugar. Precisas de engolir tudo em três tragos como fazes com o café forte. Sempre forte. Mas sabe também que precisas igualmente de saboreá-los, sim aos teus. Precisas de saboreá-los como fazes com as meias de leite quentes que degustas sem pressas enquanto aqueces as mãos e aprecias o quente dos lenços que trazes sempre enrolados à volta do pescoço. Escutas gentilmente, enquanto lhes decoras as rugas de expressão. Às vezes, entusiasmas-te sentada inclinas-te e os teus pés põem-se em pontas. Isso é a tua expressão mais pura de interesse. Respondes sempre articulando as palavras no tom de voz preciso, quando não o fazes a tua cara fala por ti, completa-te as frases. Precisas sempre de mais tempo assim. Precisas de saber que vais voltar de coração cheio. Precisas sempre de voltar assim senão sabes que não voltarás. É como se tivesses um copo medidor sempre escondido no bolso do casaco que envergas. Só podes voltar quando atingires determinada medida - como se mede o amor? Voltas sempre de coração cheio. Esboças sempre um sorriso taciturno nas despedidas, travas as lágrimas com a perícia de quem fuma. Partes em paz. Com o coração do peso das malas, cheio até ao topo. Claro que quando chegas àquela que agora é a tua morada e fechas a porta do quarto, tudo passa. Sorris e depois as pernas amolecem-te. Sentes uma saudade imensa, de casa. Das tuas casas. As tuas casas são sempre as pessoas que amas, o resto são-te só moradas. Mais frias, mais vazias.

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É na troca de letras que me conquistam. Passo os dias a apaixonar-me pelas palavras dos outros e a despojar aquelas que circulam em mim. Completo-me assim. Gosto de emoção e tudo ambiciono sentir. Não tenho medo da dor, nem da felicidade. Gosto dos extremos. E se vais dedicar-me o teu tempo brinda-me, acima de tudo, com sentimento. (Obrigada)