- já domestiquei muito gato patrícia e tu sabes o que os gatos têm de diferente dos cães.
- têm personalidade e mania, não?
- têm orgulho, personalidade, egoísmo, realeza e medo. por isso, é que se assobias a um cão e ele vem todo contente, sem medo nenhum do que lhe possa acontecer, confiando na pessoa sem receio nenhum. o cão é bonito e é uma boa companhia, mas se a pessoa lhe voltar as costas, ele fica parado enganando-se a ele próprio e dizendo a si mesmo que o dono volta. já o gato desconfia, prefere a distância, a sua segurança. não é fácil um gato deixar que nos aproximemos, não é fácil e gosta de não ser fácil, é essa dificuldade e encanto que faz que ninguém abandone um gato, porque nunca ninguém ganha totalmente o seu coração mas todos os momentos em que nos deixa fazer festas são muito mais recompensadores do que qualquer cão que apareça. é porque os cães dão-se tanto que quando o dono vai deixam de comer e quando perdidos voltam a casa.
- eu sou um gato muito gato?
- o mais que já vi.
- faz sentido.
- faz todo o sentido ser assim, eu gostava de ser assim. mas sou uma mistura dos dois. mas tu sem a mínima dúvida és o gato com mais personalidade e orgulho que já vi.
- talvez atinjas o equilíbrio assim, sendo gato-cão.
- sim, infelizmente.
- o desequilíbrio seduz-te mais?
- o que é fácil, o bem que não tem uma pinta de maldade, não me seduz, repele-me.
- és adepto como eu do que é bonito tem de ter um quê de grotesco, o que é doce tem de ter sal, senão enjoa, desinteressa.
- nisso tens razão. detesto ver actos de afecto caírem na mundanidade e vulgaridade, detesto. o dar as mãos, uma troca de olhares não pode nunca pode ser gratuito.
- não diria não gratuito, sou mais apologista do não ao desbarato. mas concordo.
- sim, ao desbarato. sou do tipo que acha que certas trocas de olhares valem mais que mil beijos.
- e que a cumplicidade mede-se muitas vezes em silêncios?
- o olhar diz tudo, tudo tudo tudo, sobretudo se a pessoa for verdadeira.
- parece-me uma boa resposta.
- sim, infelizmente.
- o desequilíbrio seduz-te mais?
- o que é fácil, o bem que não tem uma pinta de maldade, não me seduz, repele-me.
- és adepto como eu do que é bonito tem de ter um quê de grotesco, o que é doce tem de ter sal, senão enjoa, desinteressa.
- nisso tens razão. detesto ver actos de afecto caírem na mundanidade e vulgaridade, detesto. o dar as mãos, uma troca de olhares não pode nunca pode ser gratuito.
- não diria não gratuito, sou mais apologista do não ao desbarato. mas concordo.
- sim, ao desbarato. sou do tipo que acha que certas trocas de olhares valem mais que mil beijos.
- e que a cumplicidade mede-se muitas vezes em silêncios?
- o olhar diz tudo, tudo tudo tudo, sobretudo se a pessoa for verdadeira.
- parece-me uma boa resposta.

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É na troca de letras que me conquistam. Passo os dias a apaixonar-me pelas palavras dos outros e a despojar aquelas que circulam em mim. Completo-me assim. Gosto de emoção e tudo ambiciono sentir. Não tenho medo da dor, nem da felicidade. Gosto dos extremos. E se vais dedicar-me o teu tempo brinda-me, acima de tudo, com sentimento. (Obrigada)